Uma imagem com a seguinte frase A janela estava aberta. Para o quê não sei, mas o que entrava era o vento dos lupanáres, de mistura com o eco que se partia nas curvas cicloidais, e fragmentos do hino da bandeira.

Não posso atinar no que eu fazia: se meditava, se morria de espanto ou se vinha de muito longe.

Nesse momento (oh! por que precisamente nesse momento?...) é que penetrou no quarto o bicho que voava, o articulado implacável, implacável!

Compreendi desde logo não haver possibilidade alguma de evasão. Nascer de novo também não adiantava. — A bomba de flit! pensei comigo, é um inseto!

Quando o jacto fumigatório partiu, nada mudou em mim; os sinos da redenção continuaram em silêncio; nenhuma porta se abriu nem fechou.

Mas o monstruoso animal FICOU MAIOR. Senti que ele não morreria nunca mais, nem sairia, conquanto não houvesse no aposento nenhum busto de Palas, nem na minh'alma, o que é pior, a recordação persistente de alguma extinta Lenora.

A janela estava aberta. Para o quê não sei, mas o que entrava era o vento dos lupanáres, de mistura com o eco que se partia nas curvas cicloidais, e fragmentos do hino da bandeira....

— Manuel Bandeira

Noturno da Rua da Lapa

A janela estava aberta. Para o quê não sei, mas o que entrava era o vento dos lupanáres, de mistura com o eco que se partia nas curvas cicloidais, e fragmentos do hino da bandeira. Não posso atinar no que eu fazia: se meditava, se morria de espanto ou se vinha de muito longe. Nesse momento (oh! por que precisamente nesse momento?...) é que penetrou no quarto o bicho que voava, o articulado implacável, implacável! Compreendi desde logo não haver possibilidade alguma de evasão. Nascer de novo também não adiantava. — A bomba de flit! pensei comigo, é um inseto! Quando o jacto fumigatório partiu, nada mudou em mim; os sinos da redenção continuaram em silêncio; nenhuma porta se abriu nem fechou. Mas o monstruoso animal FICOU MAIOR. Senti que ele não morreria nunca mais, nem sairia, conquanto não houvesse no aposento nenhum busto de Palas, nem na minh'alma, o que é pior, a recordação persistente de alguma extinta Lenora.
Mil-Frases Mil-Frases · há 2 anos
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"Noturno da Rua da Lapa" é um poema de Manuel Bandeira que retrata uma atmosfera noturna misteriosa e perturbadora. O eu lírico descreve a janela aberta, por onde entra o vento dos lupanáres e fragmentos do hino da bandeira. O poema evoca uma sensação de

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