Uma imagem com a seguinte frase Ó meu amor! ó meu damasco, ó minha seda,
Ó meu guizo de prata,
Meu colar de pérolas deixado em cima da cómoda,
Minha aliança de ouro em dedos já velhinhos e fieis,
Minha cantiga de raparigas ao poente,
Ó meu fumo de cigarro, tão inútil e tão necessário,
Minha Bíblia para as crianças brincarem,
Minha amante que eu queria trazer ao colo como uma filha...

Olha, tenho as mãos em febre...
Tenho a testa a escaldar, tenho os olhos muito estranhos...
Todos olham para o brilho dos meus olhos e espetam-se neles...
Eu tenho febre e tenho sede e lembro-me de ti por causa disso
Porque se eu te tivesse como te quereria ter
(Não sei se é de um modo físico, ou de um modo psíquico)
Eu não teria nem febre, nem sede, nem a testa a arder,
Nem os olhos secos, muito secos, sob a fronte...

Tu não sabes o que tem sido a minha vida!...
Tu não sabes que martírio tem sido o meu...
Se tu soubesses o que é amar as coisas simples e calmas
E não ter jeito para procurar senão as outras coisas!
Se tu soubesses porque é que quando eu estou na minha quinta de dia
Tenho saudades dela como se não estivesse lá...
Se tu soubesses o que eu sinto à noite, nos hotéis, pelas ruas,
Se tu soubesses! Mas eu próprio não sei o que é que sinto...

Minha lantejoula, minha casa de bonecas,
Ó meus brinquedos da minha infância atados com cordéis!
Ó meu regimento que passa com a banda à frente,
Minha noite no circo, nos cavalinhos, a rir dos palhaços...
Ó minha (...)

Ó meu amor! ó meu damasco, ó minha seda, Ó meu guizo de prata, Meu colar de pérolas deixado em cima da cómoda, Minha aliança de ouro em dedos já velhinhos e fieis, Minha cantiga de...

— Álvaro de Campos

Ó meu amor! ó meu damasco, ó minha seda.

Ó meu amor! ó meu damasco, ó minha seda, Ó meu guizo de prata, Meu colar de pérolas deixado em cima da cómoda, Minha aliança de ouro em dedos já velhinhos e fieis, Minha cantiga de raparigas ao poente, Ó meu fumo de cigarro, tão inútil e tão necessário, Minha Bíblia para as crianças brincarem, Minha amante que eu queria trazer ao colo como uma filha... Olha, tenho as mãos em febre... Tenho a testa a escaldar, tenho os olhos muito estranhos... Todos olham para o brilho dos meus olhos e espetam-se neles... Eu tenho febre e tenho sede e lembro-me de ti por causa disso Porque se eu te tivesse como te quereria ter (Não sei se é de um modo físico, ou de um modo psíquico) Eu não teria nem febre, nem sede, nem a testa a arder, Nem os olhos secos, muito secos, sob a fronte... Tu não sabes o que tem sido a minha vida!... Tu não sabes que martírio tem sido o meu... Se tu soubesses o que é amar as coisas simples e calmas E não ter jeito para procurar senão as outras coisas! Se tu soubesses porque é que quando eu estou na minha quinta de dia Tenho saudades dela como se não estivesse lá... Se tu soubesses o que eu sinto à noite, nos hotéis, pelas ruas, Se tu soubesses! Mas eu próprio não sei o que é que sinto... Minha lantejoula, minha casa de bonecas, Ó meus brinquedos da minha infância atados com cordéis! Ó meu regimento que passa com a banda à frente, Minha noite no circo, nos cavalinhos, a rir dos palhaços... Ó minha (...)
Mil-Frases Mil-Frases · há 3 anos
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Álvaro de Campos
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O Poeta Álvaro de...
Este poema de Álvaro de Campos é uma expressão intensa de amor e desejo. O eu lírico descreve o seu amor como um precioso damasco, uma suave seda, um colar de pérolas e uma aliança de ouro. Ele anseia pela presença do seu amado(a), comparando-o(a) a uma c

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