Uma imagem com a seguinte frase Vai alto o dia. O sola pino ofusca e vibra.

O ar é como de forja. A força nova e pura

Da vida embriaga e exalta. E eu sinto, fibra a fibra,

Avassalar-me o ser a vontade da cura.


A energia vital que no ventre profundo

Da Terra estuante ofega e penetra as raízes,

Sobe no caule, faz todo galho fecundo

E estala na amplidão das ramadas felizes,


Entra-me como um vinho acre pelas narinas...

Arde-me na garganta... E nas artérias sinto

O bálsamo aromado e quente das resinas

Que vem na exalação de cada terebinto.


O furor de criação dionisíaco estua

No fundo das rechãs, no flanco das montanhas,

E eu absorvo-o nos sons, na glória da luz crua

E ouço-o ardente bater dentro em minhas entranhas.


Tenho êxtases de santo... Ânsias para a virtude...

Canta em minh'alma absorta um mundo de harmonias.

Vêm-me audácias de herói... Sonho o que jamais pude

— Belo como Davi, forte como Golias...


E neste curto instante em que todo me exalto

De tudo o que não sou, gozo tudo o que invejo,

E nunca o sonho humano assim subiu tão alto

Nem flamejou mais bela a chama do desejo.


E tudo isso me vem de vós, Mãe Natureza!

Vós que cicatrizais minha velha ferida...

Vós que me dais o grande exemplo de beleza

E me dais o divino apetite da vida!


Clavadel, 1914

Vai alto o dia. O sola pino ofusca e vibra. O ar é como de forja. A força nova e pura Da vida embriaga e exalta. E eu sinto, fibra a fibra, Avassalar-me o ser a vontade da cura....

— Manuel Bandeira

Plenitude

Vai alto o dia. O sola pino ofusca e vibra. O ar é como de forja. A força nova e pura Da vida embriaga e exalta. E eu sinto, fibra a fibra, Avassalar-me o ser a vontade da cura. A energia vital que no ventre profundo Da Terra estuante ofega e penetra as raízes, Sobe no caule, faz todo galho fecundo E estala na amplidão das ramadas felizes, Entra-me como um vinho acre pelas narinas... Arde-me na garganta... E nas artérias sinto O bálsamo aromado e quente das resinas Que vem na exalação de cada terebinto. O furor de criação dionisíaco estua No fundo das rechãs, no flanco das montanhas, E eu absorvo-o nos sons, na glória da luz crua E ouço-o ardente bater dentro em minhas entranhas. Tenho êxtases de santo... Ânsias para a virtude... Canta em minh'alma absorta um mundo de harmonias. Vêm-me audácias de herói... Sonho o que jamais pude — Belo como Davi, forte como Golias... E neste curto instante em que todo me exalto De tudo o que não sou, gozo tudo o que invejo, E nunca o sonho humano assim subiu tão alto Nem flamejou mais bela a chama do desejo. E tudo isso me vem de vós, Mãe Natureza! Vós que cicatrizais minha velha ferida... Vós que me dais o grande exemplo de beleza E me dais o divino apetite da vida! Clavadel, 1914
Mil-Frases Mil-Frases · há 2 anos
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"Plenitude" é um poema de Manuel Bandeira que exalta a energia vital da vida e a conexão com a natureza. O poeta descreve a sensação de ser envolvido pela força da cura e da criação, sentindo-se embriagado pela vida. O poema transmite uma sensação de êxta

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