Uma imagem com a seguinte frase A Dama Branca que eu encontrei,

Faz tantos anos,

Na minha vida sem lei nem rei,

Sorriu-me em todos os desenganos.


Era sorriso de compaixão?

Era sorriso de zombaria?

Não era mofa nem dó. Senão,

Só nas tristezas me sorriria.


E a Dama Branca sorriu também

A cada júbilo interior.

Sorria como querendo bem.

E todavia não era amor.


Era desejo? — Credo! De tísicos?

Por histeria... quem sabe lá?...

A Dama tinha caprichos físicos:

Era uma estranha vulgívaga.


Ela era o gênio da corrupção.

Tábua de vícios adulterinos.

Tivera amantes: uma porção.

Até mulheres. Até meninos.


Ao pobre amante que lhe queria,

Se lhe furtava sarcástica.

Com uns perjura, com outros fria,

Com outros má,


— A Dama Branca que eu encontrei,

Há tantos anos,

Na minha vida sem lei nem rei,

Sorriu-me em todos os desenganos.


Essa constância de anos a fio,

Sutil, captara-me. E imaginai!

Por uma noite de muito frio

A Dama Branca levou meu pai.

A Dama Branca que eu encontrei, Faz tantos anos, Na minha vida sem lei nem rei, Sorriu-me em todos os desenganos. Era sorriso de compaixão? Era sorriso de zombaria? Não era...

— Manuel Bandeira

A Dama Branca

A Dama Branca que eu encontrei, Faz tantos anos, Na minha vida sem lei nem rei, Sorriu-me em todos os desenganos. Era sorriso de compaixão? Era sorriso de zombaria? Não era mofa nem dó. Senão, Só nas tristezas me sorriria. E a Dama Branca sorriu também A cada júbilo interior. Sorria como querendo bem. E todavia não era amor. Era desejo? — Credo! De tísicos? Por histeria... quem sabe lá?... A Dama tinha caprichos físicos: Era uma estranha vulgívaga. Ela era o gênio da corrupção. Tábua de vícios adulterinos. Tivera amantes: uma porção. Até mulheres. Até meninos. Ao pobre amante que lhe queria, Se lhe furtava sarcástica. Com uns perjura, com outros fria, Com outros má, — A Dama Branca que eu encontrei, Há tantos anos, Na minha vida sem lei nem rei, Sorriu-me em todos os desenganos. Essa constância de anos a fio, Sutil, captara-me. E imaginai! Por uma noite de muito frio A Dama Branca levou meu pai.
Mil-Frases Mil-Frases · há 2 anos
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"A Dama Branca" é um poema de Manuel Bandeira que retrata a figura enigmática de uma mulher que sorri em meio às decepções e tristezas da vida. O poema sugere que esse sorriso não é de compaixão nem de zombaria, mas sim um gesto de simpatia nas adversidad

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