Uma imagem com a seguinte frase A mata agita-se, revoluteia, contorce-se toda e sacode-se!

A mata hoje tem alguma coisa para dizer.

E ulula, e contorce-se toda, como a atriz de uma pantomima trágica.

Cada galho rebelado

Inculca a mesma perdida ânsia.

Todos eles sabem o mesmo segredo pânico.

Ou então — é que pedem desesperadamente a mesma instante coisa.


Que saberá a mata? Que pedirá a mata?

Pedirá água?

Mas a água despenhou-se há pouco, fustigando-a, escorraçando-a, saciando-a como aos alarves.


Pedirá o fogo para a purificação das necroses milenárias?

Ou não pede nada, e quer falar e não pode?

Terá surpreendido o segredo da terra pelos ouvidos finíssimos das suas raízes?


A mata agita-se, revoluteia, contorce-se toda e sacode-se!

A mata está hoje como uma multidão em delírio coletivo.


Só uma touça de bambus, à parte,

Balouça... levemente... levemente... levemente...

E parece sorrir do delírio geral.


Petrópolis, 1921

A mata agita-se, revoluteia, contorce-se toda e sacode-se! A mata hoje tem alguma coisa para dizer. E ulula, e contorce-se toda, como a atriz de uma pantomima trágica. Cada galh...

— Manuel Bandeira

A Mata

A mata agita-se, revoluteia, contorce-se toda e sacode-se! A mata hoje tem alguma coisa para dizer. E ulula, e contorce-se toda, como a atriz de uma pantomima trágica. Cada galho rebelado Inculca a mesma perdida ânsia. Todos eles sabem o mesmo segredo pânico. Ou então — é que pedem desesperadamente a mesma instante coisa. Que saberá a mata? Que pedirá a mata? Pedirá água? Mas a água despenhou-se há pouco, fustigando-a, escorraçando-a, saciando-a como aos alarves. Pedirá o fogo para a purificação das necroses milenárias? Ou não pede nada, e quer falar e não pode? Terá surpreendido o segredo da terra pelos ouvidos finíssimos das suas raízes? A mata agita-se, revoluteia, contorce-se toda e sacode-se! A mata está hoje como uma multidão em delírio coletivo. Só uma touça de bambus, à parte, Balouça... levemente... levemente... levemente... E parece sorrir do delírio geral. Petrópolis, 1921
Mil-Frases Mil-Frases · há 2 anos
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"A Mata" é um poema de Manuel Bandeira que retrata a agitação e a inquietação da natureza. A mata se contorce e sacode, como se tivesse algo importante para dizer. Cada galho rebelado expressa uma ânsia perdida, revelando um segredo pânico. A poesia quest

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