Uma imagem com a seguinte frase Se a minha amada um longo olhar me desse

Dos seus olhos que ferem como espadas,

Eu domaria o mar que se enfurece

E escalaria as nuvens rendilhadas.


Se ela deixasse, extático e suspenso

Tomar-lhe as mãos "mignonnes" (1) e aquecê-las,

Eu com um sopro enorme, um sopro imenso

Apagaria o lume das estrelas.


Se aquela que amo mais que a luz do dia,

Me aniquilasse os males taciturnos,

O brilho dos meus olhos venceria

O clarão dos relâmpagos nocturnos.


Se ela quisesse amar, no azul do espaço,

Casando as suas penas com as minhas,

Eu desfaria o Sol como desfaço

As bolas de sabão das criancinhas.


Se a Laura dos meus loucos desvarios

Fosse menos soberba e menos fria,

Eu pararia o curso aos grandes rios

E a terra sob os pés abalaria.


Se aquela por quem já não tenho risos

Me concedesse apenas dois abraços,

Eu subiria aos róseos paraísos

E a Lua afogaria nos meus braços.


Se ela ouvisse os meus cantos moribundos

E os lamentos das cítaras estranhas,

Eu ergueria os vales mais profundos

E abateria as sólidas montanhas.


E se aquela visão da fantasia

Me estreitasse ao peito alvo como arminho,

Eu nunca, nunca mais me sentaria

Às mesas espelhentas do Martinho.

Se a minha amada um longo olhar me desse Dos seus olhos que ferem como espadas, Eu domaria o mar que se enfurece E escalaria as nuvens rendilhadas. Se ela deixasse, extático e...

— Cesário Verde

Arrojos

Se a minha amada um longo olhar me desse Dos seus olhos que ferem como espadas, Eu domaria o mar que se enfurece E escalaria as nuvens rendilhadas. Se ela deixasse, extático e suspenso Tomar-lhe as mãos "mignonnes" (1) e aquecê-las, Eu com um sopro enorme, um sopro imenso Apagaria o lume das estrelas. Se aquela que amo mais que a luz do dia, Me aniquilasse os males taciturnos, O brilho dos meus olhos venceria O clarão dos relâmpagos nocturnos. Se ela quisesse amar, no azul do espaço, Casando as suas penas com as minhas, Eu desfaria o Sol como desfaço As bolas de sabão das criancinhas. Se a Laura dos meus loucos desvarios Fosse menos soberba e menos fria, Eu pararia o curso aos grandes rios E a terra sob os pés abalaria. Se aquela por quem já não tenho risos Me concedesse apenas dois abraços, Eu subiria aos róseos paraísos E a Lua afogaria nos meus braços. Se ela ouvisse os meus cantos moribundos E os lamentos das cítaras estranhas, Eu ergueria os vales mais profundos E abateria as sólidas montanhas. E se aquela visão da fantasia Me estreitasse ao peito alvo como arminho, Eu nunca, nunca mais me sentaria Às mesas espelhentas do Martinho.
Mil-Frases Mil-Frases · há 2 anos
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Cesário Verde
8 posts
José Joaquim Cesá...
"Arrojos" é um poema de Cesário Verde que expressa a intensidade do amor e a vontade de realizar feitos grandiosos para conquistar a amada. O eu lírico descreve a sua paixão de forma arrebatadora, afirmando que seria capaz de domar o mar, escalar as nuven

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