Uma imagem com a seguinte frase É inútil prolongar a conversa de todo este silêncio.
Jazes sentado, fumando, no canto do sofá grande —
Jazo sentado, fumando, no sofá de cadeira funda,
Entre nós não houve, vai para uma hora,
Senão os olhares de uma só vontade de dizer.
Renovávamos, apenas, os cigarros — o novo no aceso do velho
E continuávamos a conversa silenciosa,
Interrompida apenas pelo desejo olhado de falar...

Sim, é inútil,
Mas tudo, até a vida dos campos é igualmente inútil
Há coisas que são difíceis de dizer...
Este problema, por exemplo.
De qual de nós é que ela gosta? Como é que podemos chegar a discutir isso?
Nem falar nela, não é verdade?
E sobretudo não ser o primeiro a pensar em falar nela!
A falar nela ao impassível outro e amigo...
Caiu a cinza do teu cigarro no teu casaco preto —
Ia advertir-te, mas para isso era preciso falar...

Entreolhámo-nos de novo, como transeuntes cruzados.
E o pecado mútuo que não cometemos
Assomou ao mesmo tempo ao fundo dos dois olhares.
De repente espreguiças-te, semi-ergues-te — Escusas de falar...
"Vou-me deitar!" dizes, porque o vais dizer.
E tudo isto, tão psicológico, tão involuntário,
Por causa de uma empregada de escritório agradável e solene.
Ah, vamo-nos deitar!
Se fizer versos a respeito disto, já sabes, é desprezo!

É inútil prolongar a conversa de todo este silêncio. Jazes sentado, fumando, no canto do sofá grande — Jazo sentado, fumando, no sofá de cadeira funda, Entre nós não houve, vai par...

— Álvaro de Campos

É inútil prolongar a conversa de todo este silêncio.

É inútil prolongar a conversa de todo este silêncio. Jazes sentado, fumando, no canto do sofá grande — Jazo sentado, fumando, no sofá de cadeira funda, Entre nós não houve, vai para uma hora, Senão os olhares de uma só vontade de dizer. Renovávamos, apenas, os cigarros — o novo no aceso do velho E continuávamos a conversa silenciosa, Interrompida apenas pelo desejo olhado de falar... Sim, é inútil, Mas tudo, até a vida dos campos é igualmente inútil Há coisas que são difíceis de dizer... Este problema, por exemplo. De qual de nós é que ela gosta? Como é que podemos chegar a discutir isso? Nem falar nela, não é verdade? E sobretudo não ser o primeiro a pensar em falar nela! A falar nela ao impassível outro e amigo... Caiu a cinza do teu cigarro no teu casaco preto — Ia advertir-te, mas para isso era preciso falar... Entreolhámo-nos de novo, como transeuntes cruzados. E o pecado mútuo que não cometemos Assomou ao mesmo tempo ao fundo dos dois olhares. De repente espreguiças-te, semi-ergues-te — Escusas de falar... "Vou-me deitar!" dizes, porque o vais dizer. E tudo isto, tão psicológico, tão involuntário, Por causa de uma empregada de escritório agradável e solene. Ah, vamo-nos deitar! Se fizer versos a respeito disto, já sabes, é desprezo!
Mil-Frases Mil-Frases · há 3 anos
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Álvaro de Campos
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O Poeta Álvaro de...
Este poema de Álvaro de Campos retrata uma conversa silenciosa entre duas pessoas, onde os olhares substituem as palavras. O eu lírico reflete sobre a inutilidade de prolongar a conversa diante de um silêncio que diz mais do que qualquer palavra. O poema

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