Uma imagem com a seguinte frase O sol é grande. O coisas

Todas vas, todas mudaves!

(Como esse "mudaves",

Que hoje é "mudáveis"

E já não rima com "aves".)


O sol é grande. Zinem as cigarras

Em Laranjeiras.

Zinem as cigarras: zino, zino, zino...

Como se fossem as mesmas

Que eu ouvi menino.


Ó verões de antigamente!

Quando o Largo do Boticário

Ainda poderia ser tombado.

Carambolas ácidas, quentes de mormaço;

Água morna das caixas-d'água vermelha de ferrugem;

Saibro cintilante...


O sol é grande. Mas, ó cigarras que zinis,

Não sois as mesmas que eu ouvi menino.

Sois outras, não me interessais...


Dêem-me as cigarras que eu ouvi menino.

O sol é grande. O coisas Todas vas, todas mudaves! (Como esse "mudaves", Que hoje é "mudáveis" E já não rima com "aves".) O sol é grande. Zinem as cigarras Em Laranjeiras....

— Manuel Bandeira

Elegia de Verão

O sol é grande. O coisas Todas vas, todas mudaves! (Como esse "mudaves", Que hoje é "mudáveis" E já não rima com "aves".) O sol é grande. Zinem as cigarras Em Laranjeiras. Zinem as cigarras: zino, zino, zino... Como se fossem as mesmas Que eu ouvi menino. Ó verões de antigamente! Quando o Largo do Boticário Ainda poderia ser tombado. Carambolas ácidas, quentes de mormaço; Água morna das caixas-d'água vermelha de ferrugem; Saibro cintilante... O sol é grande. Mas, ó cigarras que zinis, Não sois as mesmas que eu ouvi menino. Sois outras, não me interessais... Dêem-me as cigarras que eu ouvi menino.
Mil-Frases Mil-Frases · há 2 anos
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"Elegia de Verão" é um poema nostálgico de Manuel Bandeira que evoca memórias de verões passados. O poeta lamenta a passagem do tempo e a mudança das coisas, desejando reviver as cigarras que ouviu na infância. O poema transmite uma sensação de saudade e

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