Poema
Uma imagem com a seguinte frase Primeiro houve entradas para pegar índio

Entradas para descobrir o ouro

Agora há entradas para plantar café


Um dia trouxeram da Martinica um soldadinho verde

O soldadinho juntou-se com a mulata roxa

E nasceu um exército de soldadinhos verdes

Os batalhões alinharam-se

Marcha soldado

Pé de café

E tomaram de assalto as baixadas as lombas as faldas e os contrafortes até o planalto.

Do meio deles

De Estrela boa estrela

Saiu o maior soldado brasileiro

Onde acampavam

Havia riqueza

Solares trapiches

Resendes Valenças Vassouras

Estradas reais calçadas com pedra

Os Tijucos do café

Com linhagens de barões estadistas que formaram gabinetes e deram lustre ao segundo reinado


Mas o amor do soldado derreia a mulata

O mau goza se satisfaz e

Marcha soldado

Pé de café!

Soldado gosta de mulher nova

Araçatubas de peito duro

Itaperunas de mamilo preto


Itaperuna!

Ponta de trilho da civilização cafeeira

Criação republicana e brasileira

Único município que não aderiu

Porque era republicano antes da República!


Ora esta eu agora me esqueci que não sou republicano

Ponhamos Itaperuna exceção republicana.

Desta república de paulistas baianos, paulistas pernambucanos e paulistas de Macaé!


Marcha soldado

Pé de café!

(Qual onda verde nada!

Batalhão é que é)

Batalhão de república militarista


Itaperuna exceção republicana

Itaperuna pacífica das pequenas propriedades

Das quatro mil oitocentas e seis pequenas propriedades registradas

Com os seus cinquenta e dois milhares de cafeeiros

A sua futura safra de um milhão e setecentas mil arrobas


Terra de José de Lannes

Bandeirante sem crimes na consciência

Itaperuna sem Rio das Mortes nem Mata da Traição

(Exceção republicana!)

Vértice do triângulo Itaperuna Araçatuba Paranapanema

Onde estão acampados os batalhões do café.


Marcha soldado

Pé de café

Se não marchar direito

O Brasil não fica em pé.

Primeiro houve entradas para pegar índio Entradas para descobrir o ouro Agora há entradas para plantar café Um dia trouxeram da Martinica um soldadinho verde O soldadinho junt...

— Manuel Bandeira

Itaperuna

Primeiro houve entradas para pegar índio Entradas para descobrir o ouro Agora há entradas para plantar café Um dia trouxeram da Martinica um soldadinho verde O soldadinho juntou-se com a mulata roxa E nasceu um exército de soldadinhos verdes Os batalhões alinharam-se Marcha soldado Pé de café E tomaram de assalto as baixadas as lombas as faldas e os contrafortes até o planalto. Do meio deles De Estrela boa estrela Saiu o maior soldado brasileiro Onde acampavam Havia riqueza Solares trapiches Resendes Valenças Vassouras Estradas reais calçadas com pedra Os Tijucos do café Com linhagens de barões estadistas que formaram gabinetes e deram lustre ao segundo reinado Mas o amor do soldado derreia a mulata O mau goza se satisfaz e Marcha soldado Pé de café! Soldado gosta de mulher nova Araçatubas de peito duro Itaperunas de mamilo preto Itaperuna! Ponta de trilho da civilização cafeeira Criação republicana e brasileira Único município que não aderiu Porque era republicano antes da República! Ora esta eu agora me esqueci que não sou republicano Ponhamos Itaperuna exceção republicana. Desta república de paulistas baianos, paulistas pernambucanos e paulistas de Macaé! Marcha soldado Pé de café! (Qual onda verde nada! Batalhão é que é) Batalhão de república militarista Itaperuna exceção republicana Itaperuna pacífica das pequenas propriedades Das quatro mil oitocentas e seis pequenas propriedades registradas Com os seus cinquenta e dois milhares de cafeeiros A sua futura safra de um milhão e setecentas mil arrobas Terra de José de Lannes Bandeirante sem crimes na consciência Itaperuna sem Rio das Mortes nem Mata da Traição (Exceção republicana!) Vértice do triângulo Itaperuna Araçatuba Paranapanema Onde estão acampados os batalhões do café. Marcha soldado Pé de café Se não marchar direito O Brasil não fica em pé.
Mil-Frases Mil-Frases · há 2 anos
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"Itaperuna" é um poema de Manuel Bandeira que retrata a história e a cultura da cidade de Itaperuna, no estado do Rio de Janeiro. O poema descreve a colonização da região, desde as entradas para pegar índios até as entradas para plantar café. Bandeira faz

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