Uma imagem com a seguinte frase Não quero as oferendas

Com que fingis, sinceros,

Dar-me os dons que me dais.

Dais-me o que perderei,

Chorando-o, duas vezes,

Por vosso e meu, perdido.


Antes mo prometais

Sem mo dardes, que a perda

Será mais na 'sperança

Que na recordação.


Não terei mais desgosto

Que o contínuo da vida,

Vendo que com os dias

Tarda o que 'spera, e é nada.



02/09/1923

Não quero as oferendas Com que fingis, sinceros, Dar-me os dons que me dais. Dais-me o que perderei, Chorando-o, duas vezes, Por vosso e meu, perdido. Antes mo prometais Se...

— Ricardo Reis

Não quero as oferendas

Não quero as oferendas Com que fingis, sinceros, Dar-me os dons que me dais. Dais-me o que perderei, Chorando-o, duas vezes, Por vosso e meu, perdido. Antes mo prometais Sem mo dardes, que a perda Será mais na 'sperança Que na recordação. Não terei mais desgosto Que o contínuo da vida, Vendo que com os dias Tarda o que 'spera, e é nada. 02/09/1923
Mil-Frases Mil-Frases · há 3 anos
0 Curtida
0 Comentário
0 Partilhas

Comentário

Seja o primeiro a comentar.
Ricardo Reis
501 posts
Ricardo Reis, um ...
Este poema de Ricardo Reis, intitulado "Não quero as oferendas", expressa a recusa do eu lírico em receber as oferendas e presentes que lhe são oferecidos. O poeta questiona a sinceridade por trás desses gestos e prefere que lhe prometam algo sem o dar, p

Poemas relacionados