Uma imagem com a seguinte frase Da outra vida,

Moreno,

Olha-me de face,

Com o bonito sorriso Pontual

Adoçado pela bondade do nosso avô Costa Ribeiro.

Olha-me de face,

Bem de face,

Com os olhos leais,

Moreno.


Conta-me o que tens visto,

Que músicas ouves agora.

Lembras-te ainda do cheiro dos bangiês de Pernambuco?

Das tuas correrias de menino pelos descampados da Gávea?

Lembras-te ainda da ponte que construíste sobre o Paraguai?

Do pastoril de Cícero?

Lembras-te ainda das pescarias de Cabo Frio?

(Elas te deram não sei que ar salino e veleiro,

Moreno.)


O espanto que nos deixaste!

Como fizeste crescer em nós o mistério augusto da morte!


Todavia,

Não te lamento não:

A vida,

Esta vida,

Carlos já disse,

Não presta.

Mas o vazio de quem

Eras marido e filho?

— Filho único, Moreno.

Da outra vida, Moreno, Olha-me de face, Com o bonito sorriso Pontual Adoçado pela bondade do nosso avô Costa Ribeiro. Olha-me de face, Bem de face, Com os olhos leais, More...

— Manuel Bandeira

José Cláudio

Da outra vida, Moreno, Olha-me de face, Com o bonito sorriso Pontual Adoçado pela bondade do nosso avô Costa Ribeiro. Olha-me de face, Bem de face, Com os olhos leais, Moreno. Conta-me o que tens visto, Que músicas ouves agora. Lembras-te ainda do cheiro dos bangiês de Pernambuco? Das tuas correrias de menino pelos descampados da Gávea? Lembras-te ainda da ponte que construíste sobre o Paraguai? Do pastoril de Cícero? Lembras-te ainda das pescarias de Cabo Frio? (Elas te deram não sei que ar salino e veleiro, Moreno.) O espanto que nos deixaste! Como fizeste crescer em nós o mistério augusto da morte! Todavia, Não te lamento não: A vida, Esta vida, Carlos já disse, Não presta. Mas o vazio de quem Eras marido e filho? — Filho único, Moreno.
Mil-Frases Mil-Frases · há 2 anos
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"José Cláudio" é um poema de Manuel Bandeira que retrata a saudade e a memória de alguém que partiu para a outra vida. O eu lírico se dirige a José Cláudio, descrevendo-o como moreno, com um bonito sorriso e olhos leais. O poema questiona o que José Cláud

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