Uma imagem com a seguinte frase A noite... O silêncio...

Se fosse só o silêncio!

Mas esta queda d'água que não pára! que não pára!

Não é de dentro de mim que ela flui sem piedade?...

A minha vida foge, foge — e sinto que foge inutilmente!

O silêncio e a estrada ensopada, com dois reflexos intermináveis...


Fumo até quase não sentir mais que a brasa e a cinza em minha boca.

O fumo faz mal aos meus pulmões comidos pelas algas.

O fumo é amargo e abjeto. Fumo abençoado, que és amargo e abjeto!


Uma pequenina aranha urde no peitoril da janela a teiazinha levíssima.


Tenho vontade de beijar esta aranhazinha...


No entanto em cada charuto que acendo cuido encontrar o gosto que faz esquecer...

Os meus retratos... Os meus livros... O meu crucifixo de marfim...

E a noite...


Petrópolis, 1921

A noite... O silêncio... Se fosse só o silêncio! Mas esta queda d'água que não pára! que não pára! Não é de dentro de mim que ela flui sem piedade?... A minha vida foge, foge —...

— Manuel Bandeira

Noturno da Mosela

A noite... O silêncio... Se fosse só o silêncio! Mas esta queda d'água que não pára! que não pára! Não é de dentro de mim que ela flui sem piedade?... A minha vida foge, foge — e sinto que foge inutilmente! O silêncio e a estrada ensopada, com dois reflexos intermináveis... Fumo até quase não sentir mais que a brasa e a cinza em minha boca. O fumo faz mal aos meus pulmões comidos pelas algas. O fumo é amargo e abjeto. Fumo abençoado, que és amargo e abjeto! Uma pequenina aranha urde no peitoril da janela a teiazinha levíssima. Tenho vontade de beijar esta aranhazinha... No entanto em cada charuto que acendo cuido encontrar o gosto que faz esquecer... Os meus retratos... Os meus livros... O meu crucifixo de marfim... E a noite... Petrópolis, 1921
Mil-Frases Mil-Frases · há 2 anos
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"Noturno da Mosela" é um poema de Manuel Bandeira que retrata a solidão e a melancolia do eu lírico durante a noite. O poema descreve a queda incessante de uma cachoeira, simbolizando a passagem implacável do tempo e a sensação de que a vida escapa sem pr

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