Uma imagem com a seguinte frase Os antigos invocavam as Musas.
Nós invocamo-nos a nós mesmos.
Não sei se as Musas apareciam –
Seria sem dúvida conforme o invocado e a invocação. –
Mas sei que nós não aparecemos.
Quantas vezes me tenho debruçado
Sobre o poço que me suponho
E balido «Ah!» para ouvir um eco,
E não tenho ouvido mais que o visto –
O vago alvor escuro com que a água resplandece
Lá na inutilidade do fundo...
Nenhum eco para mim...
Só vagamente uma cara,
Que deve ser a minha, por não poder ser de outro.
É uma coisa quase invisível,
Excepto como luminosamente vejo
Lá no fundo...
No silêncio e na luz falsa do fundo...

Que Musa!...........

03/01/1935

Os antigos invocavam as Musas. Nós invocamo-nos a nós mesmos. Não sei se as Musas apareciam – Seria sem dúvida conforme o invocado e a invocação. – Mas sei que nós não aparecemos....

— Álvaro de Campos

Os antigos invocavam as Musas.

Os antigos invocavam as Musas. Nós invocamo-nos a nós mesmos. Não sei se as Musas apareciam – Seria sem dúvida conforme o invocado e a invocação. – Mas sei que nós não aparecemos. Quantas vezes me tenho debruçado Sobre o poço que me suponho E balido «Ah!» para ouvir um eco, E não tenho ouvido mais que o visto – O vago alvor escuro com que a água resplandece Lá na inutilidade do fundo... Nenhum eco para mim... Só vagamente uma cara, Que deve ser a minha, por não poder ser de outro. É uma coisa quase invisível, Excepto como luminosamente vejo Lá no fundo... No silêncio e na luz falsa do fundo... Que Musa!........... 03/01/1935
Mil-Frases Mil-Frases · há 3 anos
0 Curtida
0 Comentário
0 Partilhas

Comentário

Seja o primeiro a comentar.
Álvaro de Campos
324 posts
O Poeta Álvaro de...
Este poema de Álvaro de Campos reflete sobre a diferença entre os antigos e os modernos na sua relação com a inspiração poética. Enquanto os antigos invocavam as Musas para obter inspiração, os modernos invocam a si mesmos, mas sem sucesso. O eu lírico ex

Poemas relacionados