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Álvaro de Campos

Foi criado em 1915. Diferente de Alberto Caeiro, que considera a sensação de forma saudável e tranquila, mas rejeita o pensamento, ou de Ricardo Reis, que advoga a indiferença olímpica, Campos procura a totalização das sensações, conforme as sente ou pensa, o que lhe causa tensões profundas.
Álvaro de Campos

Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras, Ridículas. As cartas de amor, se há amor, Têm de...

Álvaro de Campos

Acordo de noite subitamente. E o meu relógio ocupa a noite toda. Não sinto a Natureza lá fora, O meu quarto é...

Álvaro de Campos

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas ve...

Álvaro de Campos

REGRESSO AO LAR (END OF THE BOOK) Há quanto tempo não escrevo um soneto. Mas não importa: escrevo este agora....

Álvaro de Campos

Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Não são algumas toneladas de pedra ou tijolos ao alto Que disfarçam...

Álvaro de Campos

II. Carnaval A vida é uma tremenda bebedeira. Eu nunca tiro dela outra impressão. Passo nas ruas, tenho a sen...

Álvaro de Campos

Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos, E o meu destino apareceu-me na alma como um prec...

Álvaro de Campos

A Praça da Figueira de manhã, Quando o dia é de sol (como acontece Sempre em Lisboa), nunca em mim esquece, Em...

Álvaro de Campos

Chega através do dia de névoa alguma coisa do esquecimento, Vem brandamente com a tarde a oportunidade da perd...

Álvaro de Campos

Quando olho para mim não me percebo. Tenho tanto a mania de sentir Que me extravio às vezes ao sair Das própri...

Álvaro de Campos

Não, não é cansaço... É uma quantidade de desilusão Que se me entranha na espécie de pensar. É um domingo às a...

Álvaro de Campos

ODE MORTAL Tu, Caeiro meu mestre, qualquer que seja o traje Com que vestes agora, distante ou próxima, a essê...

Álvaro de Campos

Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhe...

Álvaro de Campos

ODE "A PARTIDA" (excertos) Grande libertador, Que quebraste as algemas de todas as mortes – as do corpo e as...

Álvaro de Campos

Ah, a frescura na face de não cumprir um dever! Faltar é positivamente estar no campo! Que refúgio o não se po...

Álvaro de Campos

BARROW-ON-FURNESS I Sou vil, sou reles, como toda a gente, Não tenho ideais, mas não os tem ninguém. Quem di...

Álvaro de Campos

Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra, Ao luar e ao sonho, na estrada deserta, Sozinho guio, guio qua...

Álvaro de Campos

CLEARLY NON-CAMPOS! Não sei qual é o sentimento, ainda inexpresso, Que subitamente, como uma sufocação, me af...

Álvaro de Campos

Na noite terrível, substância natural de todas as noites, Na noite de insónia, substância natural de todas as...

Álvaro de Campos

O sossego da noite, na vilegiatura no alto; O sossego, que mais aprofunda O ladrar esparso dos cães de guarda...

Álvaro de Campos

Tenho uma grande constipação, E toda a gente sabe como as grandes constipações Alteram todo o sistema do unive...

Álvaro de Campos

Cruz na porta da tabacaria! Quem morreu? O próprio Alves? Dou Ao diabo o bem-estar que trazia. Desde ontem a c...

Álvaro de Campos

Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Não são algumas toneladas de pedra ou tijolos ao alto Que disfarçam...

Álvaro de Campos
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