Uma imagem com a seguinte frase Menipo, o zombeteiro, o Cínico vadio,

la fazer, enfim, a última viagem.

Mas ia sem temor, calmo, atento à paisagem

Que se desenrolava à beira do atro rio.


E chasqueava a sorrir sobre o Estige sombrio.

Nem cuidara em trazer o óbulo da passagem!

Em face de Caronte, a pavorosa imagem

Do barqueiro da Morte olhava em desafio.


Outros erguiam no ar suplicemente as palmas.

Ele, avesso ao terror daquelas pobres almas,

Antes afigurava um deus sereno e forte.


Em seu lábio cansado um sorriso luzia.

E era o sorriso eterno e sutil da ironia,

Que triunfara da vida e triunfava da morte.


1907

Menipo, o zombeteiro, o Cínico vadio, la fazer, enfim, a última viagem. Mas ia sem temor, calmo, atento à paisagem Que se desenrolava à beira do atro rio. E chasqueava a sorri...

— Manuel Bandeira

Menipo

Menipo, o zombeteiro, o Cínico vadio, la fazer, enfim, a última viagem. Mas ia sem temor, calmo, atento à paisagem Que se desenrolava à beira do atro rio. E chasqueava a sorrir sobre o Estige sombrio. Nem cuidara em trazer o óbulo da passagem! Em face de Caronte, a pavorosa imagem Do barqueiro da Morte olhava em desafio. Outros erguiam no ar suplicemente as palmas. Ele, avesso ao terror daquelas pobres almas, Antes afigurava um deus sereno e forte. Em seu lábio cansado um sorriso luzia. E era o sorriso eterno e sutil da ironia, Que triunfara da vida e triunfava da morte. 1907
Mil-Frases Mil-Frases · há 2 anos
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"Menipo" é um poema de Manuel Bandeira que retrata a última viagem de Menipo, um zombeteiro e cínico vadio. Mesmo diante da morte, Menipo permanece calmo e atento à paisagem que se desenrola ao redor do rio. Ele desafia Caronte, o barqueiro da Morte, e se

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