Uma imagem com a seguinte frase Olho os campos, Neera

Verdes campos, e sinto

Como virá um dia

Em que não mais os veja.


Par de árvores cobre

O céu aqui sem nuvens

E faz correr mais triste

A viva e alegre linfa.


Mas por um só momento

Fugaz e passageiro

Esta ideia eu emprego

Para o seu uso triste.


Cedo me volve a calma

Com que me faço o espelho

Do céu imperturbado

E da fonte insciente.


Deixa o futuro, — porque

Não está aqui, não é nada;

Só o fugaz presente

Enquanto dura existe.


Vive a imperfeita hora

Sem olhar além dela

E sem nada esperares

Dos homens, nem dos deuses.

Olho os campos, Neera Verdes campos, e sinto Como virá um dia Em que não mais os veja. Par de árvores cobre O céu aqui sem nuvens E faz correr mais triste A viva e alegre l...

— Ricardo Reis

Olho os campos, Neera [4]

Olho os campos, Neera Verdes campos, e sinto Como virá um dia Em que não mais os veja. Par de árvores cobre O céu aqui sem nuvens E faz correr mais triste A viva e alegre linfa. Mas por um só momento Fugaz e passageiro Esta ideia eu emprego Para o seu uso triste. Cedo me volve a calma Com que me faço o espelho Do céu imperturbado E da fonte insciente. Deixa o futuro, — porque Não está aqui, não é nada; Só o fugaz presente Enquanto dura existe. Vive a imperfeita hora Sem olhar além dela E sem nada esperares Dos homens, nem dos deuses.
Mil-Frases Mil-Frases · há 3 anos
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Ricardo Reis
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Ricardo Reis, um ...
Este poema de Ricardo Reis, intitulado "Olho os campos, Neera [4]", retrata a contemplação dos campos verdes e a consciência da efemeridade da vida. O poeta utiliza a imagem de um par de árvores que cobre o céu sem nuvens, intensificando a melancolia da c

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