Uma imagem com a seguinte frase A PARTE do indolente é a abstrata vida.
Quem não emprega o esforço em conseguir,
Mas o deixa ficar, deixa dormir,
O deixa sem futuro e sem guarida,

Que mais haurir pode da morta lida,
Da sentida vaidade de seguir
Um caminho, da inércia de sentir,
Do extinto fogo e da visão perdida,
Senão a calma aquiescência em ter
No sangue entregue, e pelo corpo todo
A consciência de nada qu'rer nem ser,

A intervisão das coisas atingíveis,
E o renunciá-las, como um lindo modo
Das mãos que a palidez torna impassíveis.

A PARTE do indolente é a abstrata vida. Quem não emprega o esforço em conseguir, Mas o deixa ficar, deixa dormir, O deixa sem futuro e sem guarida, Que mais haurir pode da morta l...

— Fernando Pessoa

A parte do indolente é a abstracta vida.

A PARTE do indolente é a abstrata vida. Quem não emprega o esforço em conseguir, Mas o deixa ficar, deixa dormir, O deixa sem futuro e sem guarida, Que mais haurir pode da morta lida, Da sentida vaidade de seguir Um caminho, da inércia de sentir, Do extinto fogo e da visão perdida, Senão a calma aquiescência em ter No sangue entregue, e pelo corpo todo A consciência de nada qu'rer nem ser, A intervisão das coisas atingíveis, E o renunciá-las, como um lindo modo Das mãos que a palidez torna impassíveis.
Mil-Frases Mil-Frases · há 3 anos
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Fernando Pessoa
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Escritor, Poeta e...
Este poema de Fernando Pessoa reflete sobre a vida indolente, aquela que não se esforça em alcançar algo, mas que se contenta em permanecer na inércia. O poeta explora a ideia de não ter ambições ou desejos, apenas aceitando a calma e a resignação de não

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