Uma imagem com a seguinte frase Quero, Neera, que os teus lábios laves

Na nascente tranquila

Para que contra a tua febre e a triste

Dor que pões em viver,

Sintas a fresca e calma natureza

Da água, e reconheças

Que não têm penas nem desassossegos

As ninfas das nascentes

Nem mais soluços do que o som da água

Alegre e natural.

As nossas dores, não, Neera, vêm

Das causas naturais

Datam da alma e do infeliz fruir

Da vida com os homens.

Aprende pois, ó aprendiza jovem

Das clássicas delícias,

A não pôr mais tristeza que um suspiro

No modo como vives.

Nasceste pálida, deitando a regra

Da tua vã beleza

Sob a estólida fé das nossas mãos

Medrosas de ter gozo

Demasiado preso à desconfiança

Que vem de teu saber,

Não para essa vã mnemónica

Do futuro fatal.

Façamos vívidas grinaldas várias

De sol, flores e risos

Para ocultar o fundo fiel à Noite

Do nosso pensamento

Curvado já em vida sob a ideia

Do plutónico jugo

Cônscia já da lívida aguardança

Do caos redivivo.

Quero, Neera, que os teus lábios laves Na nascente tranquila Para que contra a tua febre e a triste Dor que pões em viver, Sintas a fresca e calma natureza Da água, e reconheç...

— Ricardo Reis

Quero, Neera, que os teus lábios laves

Quero, Neera, que os teus lábios laves Na nascente tranquila Para que contra a tua febre e a triste Dor que pões em viver, Sintas a fresca e calma natureza Da água, e reconheças Que não têm penas nem desassossegos As ninfas das nascentes Nem mais soluços do que o som da água Alegre e natural. As nossas dores, não, Neera, vêm Das causas naturais Datam da alma e do infeliz fruir Da vida com os homens. Aprende pois, ó aprendiza jovem Das clássicas delícias, A não pôr mais tristeza que um suspiro No modo como vives. Nasceste pálida, deitando a regra Da tua vã beleza Sob a estólida fé das nossas mãos Medrosas de ter gozo Demasiado preso à desconfiança Que vem de teu saber, Não para essa vã mnemónica Do futuro fatal. Façamos vívidas grinaldas várias De sol, flores e risos Para ocultar o fundo fiel à Noite Do nosso pensamento Curvado já em vida sob a ideia Do plutónico jugo Cônscia já da lívida aguardança Do caos redivivo.
Mil-Frases Mil-Frases · há 3 anos
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Ricardo Reis
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Ricardo Reis, um ...
Este poema de Ricardo Reis, intitulado "Quero, Neera, que os teus lábios laves", retrata a busca por tranquilidade e calma diante das dores e tristezas da vida. O eu lírico pede a Neera que lave seus lábios na nascente, para que ela possa sentir a naturez

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