Uma imagem com a seguinte frase Quando a morte cerrar meus olhos duros

— Duros de tantos vãos padecimentos,

Que pensarão teus peitos imaturos

Da minha dor de todos os momentos?

Vejo-te agora alheia, e tão distante:

Mais que distante — isenta. E bem prevejo,

Desde já bem prevejo o exato instante

Em que de outro será não teu desejo,

Que o não terás, porém teu abandono,

Tua nudez! Um dia hei de ir embora

Adormecer no derradeiro sono.

Um dia chorarás... Que importa? Chora.

Então eu sentirei muito mais perto

De mim feliz, teu coração incerto.


1940

Quando a morte cerrar meus olhos duros — Duros de tantos vãos padecimentos, Que pensarão teus peitos imaturos Da minha dor de todos os momentos? Vejo-te agora alheia, e tão dis...

— Manuel Bandeira

Soneto Inglês Nº 1

Quando a morte cerrar meus olhos duros — Duros de tantos vãos padecimentos, Que pensarão teus peitos imaturos Da minha dor de todos os momentos? Vejo-te agora alheia, e tão distante: Mais que distante — isenta. E bem prevejo, Desde já bem prevejo o exato instante Em que de outro será não teu desejo, Que o não terás, porém teu abandono, Tua nudez! Um dia hei de ir embora Adormecer no derradeiro sono. Um dia chorarás... Que importa? Chora. Então eu sentirei muito mais perto De mim feliz, teu coração incerto. 1940
Mil-Frases Mil-Frases · há 2 anos
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Manuel Bandeira
439 posts
A poesia de Bande...
Este soneto de Manuel Bandeira aborda a temática da morte e do abandono. O eu lírico reflete sobre o que o seu amado sentirá quando ele partir e como a distância entre eles se tornará ainda maior. O poema sugere que, no momento da partida, o eu lírico enc

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