Poema
Uma imagem com a seguinte frase (...)

E o ancião me disse:

"A vossa política é mesquinha e vergonhosa, e
milagroso é o homem que sai dela limpo de mãos e de
consciência.

"Os Delegados da Nação, que não contam com o
voto aturado e livre do povo, vendem-se impudicamente.

"Porque o vosso povo, que não tem consciência,
por lhe faltar a instrução, aceitará o candidato, que
lhe for apresentado por um Mandarim, ou por um
chefe de partido às tontas improvisado.

"E curvar-se-á ao rés do chão para apanhar uma
nota desacreditada, com que por engodo lhe terão
arremessado.

"E o povo folga e ri no dia de sua vileza, no dia em
que ele devia ser soberano e impor lei aos homens
que os espezinham!

"E o povo folga e ri, como o escravo no dia em
que o senhor, cansado de o fustigar com varas, por
um momento lhe tira de diante dos olhos o ergástulo
da sua ignomínia!

"E os vossos homens de estado estribam-se nas
revoluções como num ponto de apoio, e como as
salamandras, eles querem viver no elemento que a
todos asfixia.

"E não pelejais por amor do progresso, como
vangloriosamente ostentais.

"Porque a ordem e progresso são inseparáveis; —
e o que realizar uma obterá a outra.

"Pelejais sim por amor de alguns homens, porque
a vossa política não é de idéias — porém de cousas.

"Pelejais, porque a vossa política está nestas duas
palavras — egoísmo e loucura — ".

Assim falou o ancião.

Poema integrante da série Capítulo III.

In: DIAS, Gonçalves. Meditação. Rio de Janeiro: H. Garnier, 1909. p.87-8

(...) E o ancião me disse: "A vossa política é mesquinha e vergonhosa, e milagroso é o homem que sai dela limpo de mãos e de consciência. "Os Delegados da Nação, que não contam...

— Gonçalves Dias

XII

(...) E o ancião me disse: "A vossa política é mesquinha e vergonhosa, e milagroso é o homem que sai dela limpo de mãos e de consciência. "Os Delegados da Nação, que não contam com o voto aturado e livre do povo, vendem-se impudicamente. "Porque o vosso povo, que não tem consciência, por lhe faltar a instrução, aceitará o candidato, que lhe for apresentado por um Mandarim, ou por um chefe de partido às tontas improvisado. "E curvar-se-á ao rés do chão para apanhar uma nota desacreditada, com que por engodo lhe terão arremessado. "E o povo folga e ri no dia de sua vileza, no dia em que ele devia ser soberano e impor lei aos homens que os espezinham! "E o povo folga e ri, como o escravo no dia em que o senhor, cansado de o fustigar com varas, por um momento lhe tira de diante dos olhos o ergástulo da sua ignomínia! "E os vossos homens de estado estribam-se nas revoluções como num ponto de apoio, e como as salamandras, eles querem viver no elemento que a todos asfixia. "E não pelejais por amor do progresso, como vangloriosamente ostentais. "Porque a ordem e progresso são inseparáveis; — e o que realizar uma obterá a outra. "Pelejais sim por amor de alguns homens, porque a vossa política não é de idéias — porém de cousas. "Pelejais, porque a vossa política está nestas duas palavras — egoísmo e loucura — ". Assim falou o ancião. Poema integrante da série Capítulo III. In: DIAS, Gonçalves. Meditação. Rio de Janeiro: H. Garnier, 1909. p.87-8
Mil-Frases Mil-Frases · há 3 anos
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Gonçalves Dias
30 posts
Antônio Gonçalves...
Este poema de Gonçalves Dias, intitulado "XII", aborda de forma crítica a política mesquinha e vergonhosa da época. O autor denuncia a corrupção dos Delegados da Nação, que se vendem impudicamente, e a falta de consciência do povo, que por falta de instru

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