Uma imagem com a seguinte frase Gnomos do luar que faz selvas
As florestas sossegadas,
Que sois silêncios nas relvas,
E em almas abandonadas
Fazeis sombras enganadas,

Que sempre se a gente olha
Acabastes de passar
E só um tremor de folha
Que o vento pode explicar
Fala de vós sem falar,

Levai-me no vosso rastro,
Que em minha alma quero ser
Como vosso corpo, um astro
Que só brilha quando houver
Quem o suponha sem ver.

Ah, sentir tudo de todos os feitios!
Não ter alma, não ter
Só diversos modos –
Seja eu leitura variada
Para mim mesmo!

Assim eu que canto ou choro
Quero velar-me e partir.
Lembrando o que não memoro,
Alguém me saiba sentir,
Mas ninguém me definir.

26/08/1930

Gnomos do luar que faz selvas As florestas sossegadas, Que sois silêncios nas relvas, E em almas abandonadas Fazeis sombras enganadas, Que sempre se a gente olha Acabastes de pass...

— Fernando Pessoa

Gnomos do luar que faz selvas

Gnomos do luar que faz selvas As florestas sossegadas, Que sois silêncios nas relvas, E em almas abandonadas Fazeis sombras enganadas, Que sempre se a gente olha Acabastes de passar E só um tremor de folha Que o vento pode explicar Fala de vós sem falar, Levai-me no vosso rastro, Que em minha alma quero ser Como vosso corpo, um astro Que só brilha quando houver Quem o suponha sem ver. Ah, sentir tudo de todos os feitios! Não ter alma, não ter Só diversos modos – Seja eu leitura variada Para mim mesmo! Assim eu que canto ou choro Quero velar-me e partir. Lembrando o que não memoro, Alguém me saiba sentir, Mas ninguém me definir. 26/08/1930
Mil-Frases Mil-Frases · há 3 anos
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Fernando Pessoa
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Escritor, Poeta e...
Este poema de Fernando Pessoa, intitulado "Gnomos do luar que faz selvas", transporta-nos para um mundo misterioso e encantado. Através da imagem dos gnomos, o poeta explora a ideia de sombras enganadoras e almas abandonadas. A sua busca por ser como um a

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