Uma imagem com a seguinte frase Na calada

Da alta noite,

Quando a sombra é como a augusta

Antecipação da morte,

Grita o fauno:

— "Bem que velho,

Te reclamo.

Bem que velho,

Te desejo,

Quero e chamo,

O novelletum quod ludis

In solitudine cordis!

Ó desejada que ainda

Não sabes que és desejada!

Deixa os brancos véus do pejo

E no inóspito jardim

Das oliveiras te cobre

De cilício da paixão!

Respira as auras ardentes,

Cospe fogo,

Vira vento e furacão,

Sopra rijo sobre mim,

Me delabra, me ensorcela,

Ninfa bela!

Não jamais

Ninfomaníaca: és triste,

Ês calada,

És elegíaca.

Por isso mesmo é que te amo,

Te desejo,

Quero e chamo,

"Ninfa! Aonde estás? Aonde?..."


Grita o fauno, mas só o eco

De sua voz lhe responde

Na calada

Da alta noite,

Quando a sombra é como a augusta

Antecipação da morte.

Na calada Da alta noite, Quando a sombra é como a augusta Antecipação da morte, Grita o fauno: — "Bem que velho, Te reclamo. Bem que velho, Te desejo, Quero e chamo, O no...

— Manuel Bandeira

O Fauno

Na calada Da alta noite, Quando a sombra é como a augusta Antecipação da morte, Grita o fauno: — "Bem que velho, Te reclamo. Bem que velho, Te desejo, Quero e chamo, O novelletum quod ludis In solitudine cordis! Ó desejada que ainda Não sabes que és desejada! Deixa os brancos véus do pejo E no inóspito jardim Das oliveiras te cobre De cilício da paixão! Respira as auras ardentes, Cospe fogo, Vira vento e furacão, Sopra rijo sobre mim, Me delabra, me ensorcela, Ninfa bela! Não jamais Ninfomaníaca: és triste, Ês calada, És elegíaca. Por isso mesmo é que te amo, Te desejo, Quero e chamo, "Ninfa! Aonde estás? Aonde?..." Grita o fauno, mas só o eco De sua voz lhe responde Na calada Da alta noite, Quando a sombra é como a augusta Antecipação da morte.
Mil-Frases Mil-Frases · há 2 anos
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"O Fauno" é um poema de Manuel Bandeira que retrata a solidão e o desejo do fauno por uma ninfa. O fauno clama por sua amada, expressando seu amor e desejo por ela, mas apenas o eco de sua voz responde. O poema evoca uma atmosfera noturna e sombria, onde

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