Uma imagem com a seguinte frase Se nada houvesse para além da morte,
Nada, e o que o espírito é pronto a querer
O que a imaginação em vão procura
Não fosse nada... E só um vácuo inteiro
No mundo, o enorme mundo perceptível,
Não fosse, nem o azulado das ondas
Nem a antecâmara da Realidade
Não outra coisa que o oco dele próprio,
E vazio do ser implodindo
Éter da ininteligibilidade
Onde o erro da razão sobre montes e vagas
Sem nexo em existir sem leis flutua.

Quem sabe se o supremo e ermo mistério
Do universo não é ele existir
Com inteireza tal em existir
Que não tenha sentido nem razão
Nem mesmo uma existência, de tão única,
Concebível... Meu espírito, corrompe-se
Ao místico furor do pensamento..
De horror sem dor

Se o mundo inteiro, — abismo sem começo,
Poço sem paredes, negro absurdo
Aberto noutro absurdo ainda mais negro —
Não tem possível interpretação
Nem intertemporalidade num futuro
Da razão, ou da alma, ou do universo
Ele-próprio.
Ah o ocaso sobre os montes
Com que réstia de luz nos faz de longe
O gesto lento de nos abençoar...
E nem sombra, nem mesmo definida
Tristeza dói...

Ó sempre mesma dor do pensamento.

Se nada houvesse para além da morte, Nada, e o que o espírito é pronto a querer O que a imaginação em vão procura Não fosse nada... E só um vácuo inteiro No mundo, o enorme mundo p...

— Álvaro de Campos

Se nada houvesse para além da morte,

Se nada houvesse para além da morte, Nada, e o que o espírito é pronto a querer O que a imaginação em vão procura Não fosse nada... E só um vácuo inteiro No mundo, o enorme mundo perceptível, Não fosse, nem o azulado das ondas Nem a antecâmara da Realidade Não outra coisa que o oco dele próprio, E vazio do ser implodindo Éter da ininteligibilidade Onde o erro da razão sobre montes e vagas Sem nexo em existir sem leis flutua. Quem sabe se o supremo e ermo mistério Do universo não é ele existir Com inteireza tal em existir Que não tenha sentido nem razão Nem mesmo uma existência, de tão única, Concebível... Meu espírito, corrompe-se Ao místico furor do pensamento.. De horror sem dor Se o mundo inteiro, — abismo sem começo, Poço sem paredes, negro absurdo Aberto noutro absurdo ainda mais negro — Não tem possível interpretação Nem intertemporalidade num futuro Da razão, ou da alma, ou do universo Ele-próprio. Ah o ocaso sobre os montes Com que réstia de luz nos faz de longe O gesto lento de nos abençoar... E nem sombra, nem mesmo definida Tristeza dói... Ó sempre mesma dor do pensamento.
Mil-Frases Mil-Frases · há 3 anos
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Álvaro de Campos
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O Poeta Álvaro de...
"Se nada houvesse para além da morte" é um poema profundo e filosófico de Álvaro de Campos. O poeta reflete sobre a possibilidade de não existir nada além da morte, nenhum sentido, nenhuma realidade além do vazio. Ele explora a ideia de um universo sem in

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