Uma imagem com a seguinte frase Longe do belo céu da Pátria minha,

Que a mente me acendia,

Em tempo mais feliz, em qu'eu cantava

Das palmeiras à sombra os pátrios feitos;

Sem mais ouvir o vago som dos bosques,

Nem o bramido fúnebre das ondas,

Que n'alma me excitavam

Altos, sublimes turbilhões de idéias;

Com que cântico novo

O Dia saudarei da Liberdade?


Ausente do saudoso, pátrio ninho,

Em regiões tão mortas,

Para mim sem encantos, e atrativos,

Gela-se o estro ao peregrino vate.

Tu também, que nos trópicos te ostentas

Fulgurante de luz, e rei dos astros,

Tu, oh sol, neste céu teu brilho perdes.


(...)


Dia da Liberdade!

Tu só dissipas hoje esta tristeza

Que a vida me angustia.

Tu só me acordas hoje do letargo

Em que esta alma se abisma,

De resistir cansada a tantas dores.

Ah! talvez que de ti poucos se lembrem

Neste estranho país, onde tu passas

Sem culto, sem fulgor, como em deserto

Caminha o viajor silencioso.


Mas rápidos os dias se devolvem;

E tu, oh sol, que pálido me aclaras

Nestas longínquas plagas,

Brilhante ainda raiarás na Pátria,

E ouvirás meus hinos

Em honra deste Dia, não magoados

Co'os fúnebres acentos da saudade.



Publicado no livro Suspiros Poéticos e Saudades (1836). Poema integrante da série Saudades.


In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Org. rev. e notas Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 194

Longe do belo céu da Pátria minha, Que a mente me acendia, Em tempo mais feliz, em qu'eu cantava Das palmeiras à sombra os pátrios feitos; Sem mais ouvir o vago som dos bosques...

— José Gonçalves de Magalhães

O Dia 7 de Setembro, em Paris

Longe do belo céu da Pátria minha, Que a mente me acendia, Em tempo mais feliz, em qu'eu cantava Das palmeiras à sombra os pátrios feitos; Sem mais ouvir o vago som dos bosques, Nem o bramido fúnebre das ondas, Que n'alma me excitavam Altos, sublimes turbilhões de idéias; Com que cântico novo O Dia saudarei da Liberdade? Ausente do saudoso, pátrio ninho, Em regiões tão mortas, Para mim sem encantos, e atrativos, Gela-se o estro ao peregrino vate. Tu também, que nos trópicos te ostentas Fulgurante de luz, e rei dos astros, Tu, oh sol, neste céu teu brilho perdes. (...) Dia da Liberdade! Tu só dissipas hoje esta tristeza Que a vida me angustia. Tu só me acordas hoje do letargo Em que esta alma se abisma, De resistir cansada a tantas dores. Ah! talvez que de ti poucos se lembrem Neste estranho país, onde tu passas Sem culto, sem fulgor, como em deserto Caminha o viajor silencioso. Mas rápidos os dias se devolvem; E tu, oh sol, que pálido me aclaras Nestas longínquas plagas, Brilhante ainda raiarás na Pátria, E ouvirás meus hinos Em honra deste Dia, não magoados Co'os fúnebres acentos da saudade. Publicado no livro Suspiros Poéticos e Saudades (1836). Poema integrante da série Saudades. In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Org. rev. e notas Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 194
Mil-Frases Mil-Frases · há 2 anos
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José Gonçalves de Magalhães
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Domingos José Gon...
Este poema de José Gonçalves de Magalhães retrata a saudade do autor pela sua pátria, enquanto se encontra em Paris no dia 7 de setembro. O poeta expressa a tristeza de estar longe do seu país e a falta de inspiração que sente ao não poder cantar as glóri

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